Desculpe-me pelo silicone

Me senti na obrigação de escrever esse texto diante do bombardeio de informações burras da militancia body-positive. Todos nós sabemos que existe hoje uma febre. A febre da aceitação do corpo como ele é. Cheio de suas nuances e defeitinhos que nos torna exatamente quem somos.

Estamos também, careca de saber que desde crianças somos bombardeados com a mídia, nos dizendo exatamente quem devemos ser. E que como sempre fomos bons alunos e boas alunas. Crescemos e nos tornamos quase esse ideal e paradoxalmente gastamos uma vida para desvincular dele. E isso seria reconfortante. Se não fosse por uma parte nossa que morre por dentro todos os dias por acharmos que deveríamos ser ainda melhores.

Então o que fazemos ? Hoje com a sagrada internet, que facilitou muito as coisas mas também confundiu outras várias. Procuramos por um acalento traduzido pela palavrinha que vende, vende muito. Pois é travestida de um certo carinho, um certo cuidado, mas que no fundo também nos aprisiona. REPRESENTATIVIDADE.

Ah como as coisas mudaram não é mesmo ? Hoje temos gordinhas, gordinhos, negros , negras. cacheadas, feministas, trans, gays etc. E isso é maravilhoso! O problema aparece quando a militância dessas classes passa a se tornar efetivamente burra e hipócrita tanto quanto a mídia.

A representatividade e a militância em conjunto vira burra quando passa a não prestar mais seu papel de incluir e começa a COBRAR. E é isso que vem acontecendo neste mundão de Deus. Me deixa chocada.

O grande barato dessa liberdade que lutamos pra conquistar é podermos ser nós mesmos. DO JEITO QUE ACHARMOS MELHOR e o principal sermos respeitados por isso. Estou errada?

Então, por que diabos não posso colocar silicone e falar sim de uma mulher empoderada e que se aceitou ? Qual o motivo que me impediria de fazer uma sobrancelha fio a fio do qual paguei com meu dinheiro e ao mesmo tempo sentar em uma mesa de bar e apoiar o fato que temos que nos amar como somos.

Não senhores, Vocês estão errados!!!

Se aceitar como é vai muito além da estética, modificar seu corpo NUNCA significou que você se odeia. Ou que você tem problema de aceitação.

Sabe o que significa? Significa que você quis e teve dinheiro. E que ninguém tem nada a ver com seus motivos e só.

Apoiar o fato de que a mídia é responsável pela nossa cobrança, e infelicidade em relação a nossos corpos não dá você o direito de fiscalizar a vida do próximo. Apontar o dedo pra falar :” Nossa, ela fala de aceitação mas olha a unha postiça dela”. Não faz nenhum sentido isso.

Não me entenda mal. Não estou do lado dos padrões estéticos que massacram a humanidade. Mas também não sou a favor de você, blogueirinha que só por que é a mais assistida, a doce e louvável encarnação da REPRESENTATIVIDADE.

Você amiga, não representa todas as gordas, você gay não representa toda comunidade. Você negra, não sabe de todas as dores de todos os negros. Então. Baixem a bola!

Vamos abrir a cabeça. Não vamos trocar o fardo de pertencer ao padrão da mídia pelo fardo de acompanhar vocês em sua militância/ego. 

Eu defendo o sagrado e ilimitado direito empoderador de ser feliz.

Vai ser feliz, antes de brigar por uma causa. Perceba que o melhor lugar pra se viver é um mundo sem causas. Todos se respeitando e esse é o objetivo da militância. E não um monte de views. Né gata (x) ?

Foquemos em um mundo melhor. Livre.

Certeza que dá mais certo.

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