Tabus sobre emagrecimento

Eu nunca fui gorda. Sempre fiz essa afirmação com orgulho, confesso. Até perceber que eu também não era magra. 

Hoje é criado em torno desse assunto uma guerra. De um lado a bandeira da aceitação e do outro, as pessoas que não se conformam em não pertencer o seleto grupo MAGRO aceito pela sociedade.

E independente do quanto digam a estas pessoas que não se conformam que elas estão ótimas do jeito que são, elas ainda se autoflagelam diante do espelho e constrói sobre si mesmas opiniões duras das quais não teriam nem sobre seu pior inimigo.

Eu sempre caminhei em cima do muro. 

Sempre provei o veneno dos dois lados. 

Eu obviamente me encanto com a ideia de me aceitar. De olhar para mim com todo amor do mundo e dizer : “_ Tu é gostosa e dane-se”. Morder meu Big Mac sem culpa e viver plena. Mas isso dura alguns meses …

A honestidade me obriga a te dizer que também sou aquela que não gosta da dobra na barriga. Sou a garota que acorda e olha a papada e percebe que não tá legal e se lamenta.

Sou a que conta a caloria e incentiva todos da casa a melhorar a alimentação para que ela mesma consiga modificar a sua. 

É, olha que surpresa! Não somos preto e branco.

Somos nuances. Vários tons de cinza sem um Christian Grey. Perdoe a piada.

Eu bato palma para a aceitação. É lindo! Porém exige uma verdade. E a pior mentira é aquela que contamos para nós mesmas.

Eu não gosto de ser gorda. Isso não quer dizer que eu odeie quem seja. 

Eu só defendo a liberdade de existir nas minhas fases. 

A bandeira da auto aceitação está sendo tão tirana quanto os padrões absurdos impostos.

E isso é ridículo.

Eu prezo muito pela liberdade e alguns movimentos estão cerceando a nossa. Só que na contramão. E não é justo! 

Pô, crescemos bombardeados pela mídia americana que coloca em nós uma vontade de tudo aquilo que não temos. Aí, vem as próprias manas te dizer que tu não pode ser como QUER ser?

Um exemplo disso é: Se tu é branca e põe tranças, você é linchada por apropriação racial. 

Ah, me poupe. Cabelo é meu. O dinheiro é meu, faço trança até no cabelo do meu c… nariz se eu quiser.

E não tem a ver com cultura. Tem a ver com o fato que eu quero a porcaria de uma trança no MEU cabelo. FIM.

O mesmo acontece com o emagrecimento. 

Eu acho que você também sabe dos riscos e dos motivos que te levam a gostar de certo tipo de corpo. Estamos na era da informação. Sabemos do preço que precisa ser pago e do quanto estamos dispostos a gastar para ser como queremos ser. 

Não quero entrar no assunto das doenças da mente que afetam o corpo como a anorexia e a bulimia, isto é assunto para outro post. 

Eu só quero defender o direito de você querer ser magra, se é isso que você quer.  

Pois hoje, parece pecado você dizer que não gosta de si como está. 

E aí que entra a frustração, você não admite que quer mudar. Mas também não consegue se aceitar como todos dizem que é o certo. Enquanto isso a felicidade escorre pelo ralo.

Então, guerreira. Quando se trata de felicidade eu só posso dizer algumas palavras:

Conheça-se 

Decida-se

Mude-se.

 

Se você quiser.

 

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